O anúncio do presidente Donald Trump sobre a imposição de uma tarifa de 50% a todos os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos caiu como uma bomba no Vale do Paraíba — justamente uma das regiões que mais exporta ao mercado norte-americano. Com US$ 1,25 bilhão em vendas realizadas apenas no primeiro semestre de 2025, o Vale pode ser um dos epicentros do impacto econômico da medida, que entra em vigor já no dia 1º de agosto.
São José dos Campos, maior exportadora da região e capital nacional da indústria aeroespacial, tem na aviação sua principal fonte de divisas: 92% das exportações da cidade aos EUA são aeronaves produzidas pela Embraer. Se o tarifaço for mantido, o prejuízo poderá ser devastador, afetando diretamente um dos setores mais estratégicos da indústria brasileira, responsável por empregos qualificados e por forte presença no comércio exterior.
No litoral, Ilhabela e São Sebastião — cidades que concentram as exportações de petróleo da região — também estão no alvo. Só nos seis primeiros meses de 2025, venderam juntas mais de US$ 360 milhões em petróleo para os americanos. Com a tarifa, o produto pode perder competitividade imediata, abrindo espaço para fornecedores do Oriente Médio e da África Ocidental.
Cidades como Pindamonhangaba e Taubaté, que têm reatores, máquinas e alumínio como carro-chefe das exportações, também sentem o baque. O aumento de 50% no custo dos produtos brasileiros nos EUA pode comprometer contratos, gerar recuos na produção e ameaçar empregos. Não se trata apenas de estatísticas: trata-se de milhares de trabalhadores e empresas que enfrentam uma possível retração sem precedentes.
A medida, vista por especialistas como uma retaliação política disfarçada de proteção econômica, representa um teste de fogo para a diplomacia brasileira. Ruy Barbosa, patrono da política externa nacional, certa vez afirmou que “a neutralidade não é omissão, é soberania”. É exatamente isso que o Brasil precisa agora: firmeza diplomática, atuação técnica e resposta estratégica.