Trump admite rever posição dos EUA sobre as Malvinas e aumenta pressão sobre Reino Unido

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu que seu governo poderá rever a tradicional posição americana sobre a disputa pela soberania das Ilhas Malvinas, território administrado pelo Reino Unido e reivindicado pela Argentina, numa eventual mudança diplomática que atingiria diretamente Londres em um momento de pressão de Washington para que os aliados europeus ampliem seus gastos militares.

Questionado no Salão Oval sobre a possibilidade de alteração da política americana para o arquipélago, Trump afirmou que costuma revisar as posições adotadas pelos Estados Unidos e indicou que a questão das Malvinas está entre os assuntos que podem ser reavaliados por sua administração.

A declaração ganha peso diante das discussões sobre os investimentos militares dos integrantes da Otan, porque, segundo informações publicadas pela imprensa britânica, uma eventual mudança de postura em relação às ilhas estaria entre as alternativas analisadas pelo Pentágono para pressionar países aliados a elevar os gastos com defesa para o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto.

Os Estados Unidos reconhecem a administração britânica das Malvinas, chamadas de Falkland Islands pelo Reino Unido, mas tradicionalmente evitam reconhecer formalmente a soberania de Londres sobre o território, mantendo uma posição de neutralidade diante da reivindicação argentina.

Em abril, quando começaram a circular informações sobre uma possível revisão dessa política, o Departamento de Estado afirmou que a posição americana permanecia inalterada, mas as declarações de Trump voltaram a colocar o tema no centro das relações entre Washington e Londres.

A questão possui especial sensibilidade para os britânicos e argentinos por causa da guerra de 1982, iniciada depois que forças da Argentina ocuparam o arquipélago em 2 de abril daquele ano e o governo da então primeira-ministra Margaret Thatcher enviou uma força militar para recuperar as ilhas.

O conflito terminou em 14 de junho, com a rendição argentina, depois de 74 dias de combates que deixaram 649 militares argentinos, 255 britânicos e três moradores das ilhas mortos.

Os Estados Unidos, governados na época por Ronald Reagan, tentaram inicialmente preservar uma posição de neutralidade e estimular uma saída diplomática, mas, com o fracasso das negociações, passaram a fornecer apoio militar, logístico e de inteligência ao Reino Unido, colaboração considerada importante para a operação britânica no Atlântico Sul.

Mais de quatro décadas depois da guerra, Buenos Aires mantém a reivindicação de soberania e considera as Malvinas parte integrante do território argentino, enquanto Londres sustenta o direito dos habitantes do arquipélago de permanecerem vinculados ao Reino Unido.

Uma eventual mudança da posição americana, portanto, ultrapassaria a relação bilateral entre Estados Unidos e Reino Unido e teria repercussões imediatas na Argentina e no equilíbrio diplomático do Atlântico Sul, sobretudo porque transformaria uma disputa territorial histórica em instrumento de pressão dentro da própria aliança ocidental.

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