O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 8 de julho, que o acordo provisório firmado para encerrar a guerra com o Irã “acabou”, depois de uma nova escalada militar no Golfo Pérsico. A declaração ocorreu após Teerã informar ataques contra instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait, em resposta a ofensivas dos Estados Unidos contra alvos iranianos.
A tensão voltou a crescer depois de ataques contra navios-tanque no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. Segundo autoridades norte-americanas, as ações atribuídas ao Irã violaram o cessar-fogo firmado no mês passado e colocaram em risco a liberdade de navegação na região.
O Irã, por sua vez, afirma que atacou bases militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait e que derrubou um drone norte-americano MQ-9, que, segundo a Guarda Revolucionária, tentava interferir na operação. Washington havia realizado anteriormente novos ataques militares contra alvos iranianos e revogado uma licença que permitia ao Irã vender petróleo nos mercados internacionais.
Questionado antes de uma cúpula da Otan, na Turquia, sobre o futuro do memorando de entendimento assinado em junho, Trump disse que, para ele, o acordo chegou ao fim. “É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles”, declarou o presidente norte-americano, em Ancara.
A crise também teve impacto imediato no mercado internacional. Os preços do petróleo subiram após Washington retirar a concessão que permitia ao Irã exportar parte de sua produção. A medida foi interpretada como um golpe direto contra a tentativa de transformar o cessar-fogo em um acordo de paz permanente.
O Comando Central dos Estados Unidos informou que atingiu alvos ligados à Guarda Revolucionária iraniana, incluindo pequenas embarcações, sistemas de defesa aérea, estruturas de vigilância costeira, mísseis terra-ar, mísseis de cruzeiro antinavio e bases de lançamento de drones. Segundo uma autoridade norte-americana ouvida pela Reuters, os ataques tinham o objetivo de impor um custo elevado ao Irã pelas ações contra a navegação no Estreito de Ormuz.
Autoridades iranianas, porém, rejeitam a versão de Washington e acusam os Estados Unidos de romperem a trégua ao intensificar as operações militares e retirar a autorização para venda de petróleo. Teerã sustenta que suas ações fazem parte de uma resposta às ofensivas norte-americanas e às pressões econômicas impostas ao país.
A nova rodada de hostilidades enfraquece ainda mais o cessar-fogo firmado em junho, que havia suspendido o conflito iniciado com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O memorando de entendimento era visto como uma etapa provisória para a construção de um acordo de paz, mas a sequência de ataques, retaliações e sanções reduziu drasticamente as chances de avanço diplomático.
O Estreito de Ormuz voltou ao centro das preocupações globais porque concentra uma fatia expressiva do transporte mundial de energia. Dados de navegação indicaram que ao menos quatro navios-tanque de petróleo e gás retornaram, em vez de atravessar a via marítima, após o aumento da tensão. A movimentação reforçou o temor de interrupções no abastecimento e de novas altas nos preços internacionais do petróleo.
Apesar das declarações duras de Trump, aliados dos Estados Unidos ainda tentam evitar que a crise se transforme em uma guerra aberta de maior proporção. A Otan acompanha o caso com preocupação, enquanto países do Golfo reforçam sistemas de defesa e monitoram possíveis novos ataques contra bases militares e rotas marítimas estratégicas.
A escalada coloca em dúvida o futuro da negociação entre Washington e Teerã e aprofunda a instabilidade no Oriente Médio. No centro da crise estão três pontos sensíveis: a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, o programa militar iraniano e o controle sobre a exportação de petróleo da República Islâmica.
