Foto:Reprodução

Trump intensifica ofensiva contra o Fed e demite diretora Lisa Cook

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (25) a demissão de Lisa Cook, integrante do conselho de governadores do Federal Reserve (Fed). A decisão, comunicada nas redes sociais e acompanhada de uma carta oficial, marca mais um capítulo no embate entre o republicano e a autonomia do banco central norte-americano.

Trump justificou a medida afirmando não confiar na integridade da diretora, associando-a a supostas irregularidades relacionadas a hipotecas. O documento presidencial citou a Constituição dos EUA e o Ato do Federal Reserve de 1913 como base legal para a exoneração, que, segundo ele, tem efeito imediato.

Lisa Cook, economista renomada e primeira mulher negra a integrar a diretoria do Fed, já havia sido alvo de pressões públicas do presidente. Na semana anterior, Trump havia declarado que iria demiti-la caso ela não renunciasse, o que foi rechaçado pela própria economista, que afirmou não ceder a intimidações.

A decisão ocorre em meio a reiteradas críticas de Trump ao banco central, acusado por ele de manter os juros em patamares “atrasados”. Em suas declarações, o presidente defendeu que as taxas já deveriam estar de dois a três pontos abaixo do atual intervalo, fixado entre 4,25% e 4,50% ao ano.

Para especialistas, a estratégia de Trump busca ampliar sua influência sobre a política monetária, especialmente se consolidar maioria no conselho de sete membros do Fed. Nesse cenário, ele poderia inclusive interferir nos comandos dos 12 bancos regionais da instituição.

Não é a primeira vez que o republicano ataca dirigentes do Fed. O presidente do banco central, Jerome Powell, já foi chamado por ele de “burro” e “teimoso”. A pressão direta sobre a instituição, tradicionalmente independente, abre agora espaço para intensas disputas jurídicas.

Segundo análises jurídicas citadas pela imprensa internacional, a Casa Branca precisaria comprovar “justa causa” em eventual processo judicial para que a demissão de Cook seja considerada legítima. Até lá, a decisão promete intensificar o debate sobre os limites do poder presidencial na condução da política econômica dos EUA.

 

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