A direção do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp, em São José dos Campos, afastou por 30 dias dois professores citados em denúncias de assédio no ambiente acadêmico. O prazo poderá ser ampliado conforme o andamento das investigações internas.
A medida foi anunciada após a repercussão do caso envolvendo Carolina Ferreira, de 21 anos, estudante de odontologia que relatou ter sido estuprada por um professor da instituição em 2023, quando tinha 18 anos. Segundo a jovem, o episódio interrompeu sua trajetória universitária e a levou a deixar o curso que sonhava concluir.
Depois da denúncia, novos relatos vieram à tona. Estudantes e ex-alunos apontam cerca de dez casos envolvendo assédio, abuso de poder e violência sexual. Na segunda-feira, aproximadamente 200 alunos participaram de um protesto no campus, vestidos de preto, cobrando apuração rigorosa, acolhimento às vítimas e punição aos responsáveis.
Em nota, a Unesp afirmou repudiar qualquer forma de assédio e informou que abriu dois processos de investigação preliminar a partir de registros feitos na Ouvidoria. A universidade declarou ainda que oferece canais oficiais para denúncias, com garantia de sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato.
A instituição ressaltou que todos os casos formalizados serão apurados conforme as normas internas e a legislação vigente. Também reconheceu o direito de manifestação dos estudantes, pedindo que os atos ocorram com serenidade e respeito.

