Uma mensagem enviada pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em 16 de novembro de 2025, revela dificuldades na transferência de recursos financeiros pouco antes de sua prisão. O conteúdo, divulgado nesta terça-feira (3) pelo UOL, foi recuperado por meio de uma análise dos registros do celular do fundador do Banco Master.
Segundo a investigação jornalística, Vorcaro informou ao parlamentar que duas parcelas de dinheiro não haviam sido efetivamente transferidas e demonstrou preocupação com sua situação. A conversa ocorreu um dia antes de sua primeira prisão, quando o empresário já tinha conhecimento de possíveis medidas policiais contra ele.
Para dificultar a recuperação das mensagens, o banqueiro utilizava o aplicativo de notas do celular, fotografava o texto e encaminhava a imagem pelo WhatsApp com visualização única. Apesar de apagar os registros, arquivos temporários armazenados no aparelho permitiram reconstruir parte da comunicação.
A troca de mensagens estaria relacionada ao financiamento de “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Conforme a reportagem, Vorcaro assumiu compromisso de investir R$ 132 milhões no projeto, divididos em 14 parcelas. Até sua prisão, sete pagamentos haviam sido realizados, totalizando R$ 67 milhões.
A Polícia Federal apura a destinação desses valores e possíveis irregularidades envolvendo lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Os investigadores procuram esclarecer se os recursos foram efetivamente aplicados na produção audiovisual.
A reportagem também identificou contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Nas mensagens recuperadas, o banqueiro demonstrava preocupação com a possibilidade de uma operação policial e buscava o adiamento de medidas que poderiam comprometer o Banco Master.
Flávio Bolsonaro havia manifestado apoio ao empresário e solicitado esclarecimentos sobre a situação. Depois de receber a mensagem sobre as dificuldades financeiras, respondeu com uma breve manifestação religiosa.
Procuradas pelo UOL, as defesas do senador e do banqueiro não apresentaram posicionamento até a publicação da reportagem. As informações divulgadas não representam, por si só, comprovação de participação do parlamentar em eventuais crimes.

