Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram que o banqueiro tratava como prioridade os pagamentos ao escritório Barci de Moraes, comandado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Os diálogos vieram a público nesta terça-feira (1º), depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação relacionada ao Banco Master.
Em uma das conversas, registrada em março de 2024, Vorcaro reclama a um sócio após descobrir que um pagamento ao escritório estava atrasado e demonstra preocupação com as consequências da demora. Em outra mensagem revelada pela investigação, o banqueiro classificou aquele repasse como o pagamento mais importante da instituição.
O material também registra a participação do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria nas cobranças relacionadas ao pagamento. Segundo as mensagens divulgadas, Faria teria procurado Vorcaro para tratar do atraso.
O contrato firmado pelo Banco Master com o Barci de Moraes previa 36 pagamentos mensais. Considerados os valores brutos, o acordo alcançaria aproximadamente R$ 131,2 milhões. Dados fiscais encaminhados ao Senado indicam que cerca de R$ 80,2 milhões foram pagos ao escritório entre 2024 e 2025, antes da liquidação do banco.
Outro elemento revelado nesta terça-feira envolve a elaboração do próprio contrato. Metadados do documento encontrado no celular de Vorcaro apontam que sua versão final foi modificada em janeiro de 2024 por um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O escritório confirmou que Moraes teve acesso ao documento e afirmou que o ministro foi consultado pelo setor de compliance para verificar a existência de eventuais impedimentos legais à contratação, uma vez que era marido da sócia-diretora da banca. Segundo o Barci de Moraes, não foi identificado impedimento e o contrato não previa atuação perante o Supremo em processos relacionados ao Banco Master.
A banca também afirma que os serviços foram efetivamente prestados. Informações divulgadas anteriormente pelo escritório apontam a participação de 15 advogados, além da realização de 94 reuniões de trabalho e da produção de 36 pareceres técnicos e jurídicos durante o período da contratação.
As mensagens, documentos e registros financeiros integram as apurações envolvendo o Banco Master. A divulgação dos elementos investigativos não representa, por si só, conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.

