O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lançou neste sábado, em São Paulo, sua pré-candidatura à Presidência da República em um evento do partido Novo marcado por ataques ao PT, ao ministro Alexandre de Moraes e ao que classificou como “parasitismo do Estado”. Em discurso inflamado, Zema exaltou números de sua gestão em Minas Gerais, disse que o estado é um dos mais seguros do país e afirmou, em tom de crítica indireta a São Paulo e ao Rio de Janeiro, que em Minas não existe “um beco onde a polícia não entre”.
A fala mais dura do governador foi dirigida ao cenário nacional. Zema prometeu “varrer o PT do mapa”, acabar com os “abusos” atribuídos a Alexandre de Moraes e declarou que sua missão é “libertar o Brasil”. Ele listou o que considera os três maiores inimigos do país: o lulismo, as facções criminosas e os parasitas do Estado. O público, formado por militantes do Novo e aliados da direita, respondeu com vaias a imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Moraes projetadas no telão, além de aplaudir a distribuição de adesivos contra o PT.
Zema subiu ao palco ao som de Que país é este?, da banda Legião Urbana, em um ato carregado de simbolismo. Durante sua fala, lembrou a atração de R$ 500 bilhões em investimentos privados para Minas e afirmou que o Brasil é competitivo “quando o governo não atrapalha”. Também defendeu reformas para acabar com privilégios e reforçou que o país precisa “liquidar” estruturas que, em sua visão, travam o desenvolvimento.
Questionado se poderia retirar sua candidatura em caso de pedido de Jair Bolsonaro, o governador evitou se comprometer, afirmando que “tudo vai depender das conversas”. Ainda assim, sinalizou que seu objetivo é seguir como candidato, em um momento em que a direita busca se reorganizar diante da inelegibilidade do ex-presidente, que será julgado neste ano por tentativa de golpe de Estado.
O lançamento contou com presenças de lideranças do campo conservador, entre elas o deputado Marcel Van Hatten (RS), o senador Eduardo Girão (CE) e o ex-procurador Deltan Dallagnol, ligado à Lava Jato. A movimentação coloca Zema no centro da disputa por espaço no eleitorado bolsonarista e reforça seu esforço para se projetar como alternativa nacional em 2026.